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O Movimento Ecumênico no Brasil a serviço da Igreja e dos Movimentos Populares (1954 - 1994)

Autor: Agemir de Carvalho Dias
Páginas: 348 pgs.
Ano da Publicação: 2009
Editora: Instituto Memória
Preço: R$ 65,00

SINOPSE

Jacques Le GOFF em entrevista concedida a Giles Lapouge, publicada pelo “O Estado de São Paulo” em 1979 dizia: “... A História me ensinou o seguinte: quando vejo que alguma coisa muda nas religiões, fico certo de que há importantes transformações em vias de ocorrer. Não quero com isso dizer que para mim a religião é essencial, mas que ela é um formidável elemento de revelação”.

            Agemir de Carvalho Dias com a obra “O Movimento Ecumênico no Brasil a serviço da Igreja e dos movimentos populares (1954-1994)”, resultado de sua tese de doutorado defendida na Universidade Federal do Paraná, mostra que no decorrer da segunda metade do século XX algo estava mudando no campo religioso no Brasil e que essas mudanças influenciaram o comportamento das igrejas cristãs, dos teólogos, daqueles que se dedicam ao serviço da religião e dos fiéis. Além de remeter o leitor a uma reflexão sobre ecumenismo, mostra também como este movimento

 

 

marcou profundamente as diversas igrejas cristãs, especialmente no que se refere às formas de cooperação entre elas e seus seguidores. Então, pode-se dizer que algo de novo estava acontecendo no ocidente.

  Partindo de fontes inéditas, documentos oficiais, jornais, revistas, livros e relatos de militantes e fazendo rigorosa análise dos seus conteúdos Agemir indica, neste livro, que o discurso sobre a unidade se deu a partir da construção de um projeto para o Brasil tendo como foco central a formação de uma nação mais justa e igualitária. Resgatando diversos trabalhos que discutiram essa temática, o autor explora o aspecto social do ecumenismo e acentua a importância do compromisso com os movimentos sociais. A idéia de libertação, apoiada na união dos cristãos, é apresentada como um dos caminhos para enfrentar os desafios do mundo moderno, em especial as condições de vida e a dependência econômica dos países mais pobres. Por esta razão, a criação de organismos de caráter ecumênico, embora não fosse uma tarefa fácil, constituiu-se numa experiência que se identificou com questões teóricas seculares e com problemas sociais que feriam os princípios cristãos e degradavam a vida de significativa parcela da humanidade. Por esta razão, apesar desta obra tratar do ecumenismo no Brasil, fica evidente que é impossível isolá-lo de todo o movimento internacional, principalmente da América Latina.

  Para dar conta da complexidade do tema e dos muitos aspectos a ele inerentes, a obra foi estruturada em quatro capítulos. Neles o discurso social das Igrejas Cristãs e o ecumenismo se constroem como forma de reação aos problemas sócio-econômicos gestados nas práticas do capitalismo. Embora retome debates construídos a partir da Reforma Protestante, a ênfase concentra-se no período de 1950 a 1990, mostrando como a pobreza sistêmica e a riqueza extremamente concentrada desafiavam a consciência social dos cristãos. Papas, Pastores e lideranças religiosas discursaram e lutaram pela construção e implantação de uma civilização do amor. Todavia, antes de estruturar propostas coletivas, eles confrontaram teses, sustentaram polêmicas e apararam arestas para chegar à conclusão que os problemas da pobreza, das condições de vida, da exclusão social deveriam pulsar nos corações e mentes da cristandade, independentemente das filiações institucionais. A teologia da libertação coloca-se como caminho possível a todos, mesmo que para isso tivessem que enfrentar e confrontar os regimes ditatoriais que resistiam a qualquer iniciativa de libertação dos oprimidos e dos desafortunados. Como ideal comum defendia-se a idéia de civilização como um projeto cristão, tendo a democracia como prática e a revolução como alternativa. Finalmente, não poderia faltar um capítulo sobre as crises do movimento ecumênico e as dificuldades enfrentadas para sua consolidação tanto no interior das Igrejas Evangélicas quanto da Igreja Católica. E, no limiar, para salvar essa experiência e superar as crises internas e externas, as organizações não governamentais – ONGs – deram continuidade aos ideais ecumênicos.

  O que chama a atenção nesta obra é a maneira clara e convicta como Agemir trata de um tema tão complexo que, embora muito discutido a partir da década de 1960, nem sempre seu conteúdo foi adequadamente compreendido. Ao historicizar o conceito deixa claro que o ecumenismo não surgiu de uma hora para outra e nem foi imposto pelas instituições. Ao olhá-lo como um movimento que se constituiu ao longo do tempo e buscando entendê-lo na sua trajetória no interior das diversas igrejas, o autor permite que leitor seja constantemente surpreendido por ações e reações, adesões e abandonos.

  Por isso, pode-se dizer que faltava um estudo que pontuasse essa trajetória ao longo da segunda metade do século XX e mostrasse os diferentes embates e caminhos percorridos por tão importante movimento cristão. 

  Observa-se ainda que o interesse do autor por esta temática não foi uma improvisação. Ao contrário, possui raízes profundas e familiares, o que lhe dá um sentido duplamente sólido: o do envolvimento pessoal e o da pesquisa. São experiências e vivências que se consolidam aos poucos. Outra percepção importante é que o autor não se atém aos aspectos meramente teóricos. Embora perpasse pela polissemia do conceito, dá um destaque para as diferentes manifestações e para as práticas que ocorreram no dia a dia das instituições religiosas e dos seus fiéis. Mostra como o ecumenismo, aceito por alguns ou rejeitado por outros, provocou diálogos, discussões, mudou atitudes, criou novas formas de relacionamento, incitou reações e afastamentos.

  Finalmente, a análise nos conduz à década de 1980 e, a partir de então, o movimento é marcado por um discurso teológico que busca, por meio da politização das ações e do diálogo entre os militantes, a construção da cooperação e da justiça social. A partir das transformações na ordem internacional, o processo de redemocratização dos países da América Latina, a desarticulação da bipolarização mundial, os novos desafios das relações entre ocidente e oriente e os riscos que ameaçam a própria sobrevivência do planeta terra, o ecumenismo, acentuando sua face humana, transcende o aspecto religioso e elege como temática central a sociedade da paz e a salvação da natureza.

  Agemir conclui o seu texto dizendo “Hoje o movimento ecumênico vivencia novas experiências, mas continua sonhando que outro mundo é possível. Para isso, o pequeno barco do ecumenismo continua navegando, pois, como dizia o poeta português Fernando pessoa, navegar é preciso, viver não é preciso”.

  Finalizando, gostaria de ressaltar que este trabalho, além de colocar o leitor frente aos problemas enfrentados pelo ecumenismo no período de 1954 a 1994, mostra que há muito por se pesquisar sobre um movimento que teve tamanha amplitude e que, ao se desvendar sua trajetória, é possível se concluir que algo de novo e diferente aconteceu no ocidente cristão.

Euclides Marchi - Professor Sênior dos Cursos de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Paraná e Diretor do Museu Paranaense

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Agemir de Carvalho Dias com a obra “O Movimento Ecumênico no Brasil a serviço da Igreja e dos movimentos populares (1954-1994)”, resultado de sua tese de doutorado defendida na Universidade Federal do Paraná, mostra que no decorrer da segunda metade do século XX algo estava mudando no campo religioso no Brasil e que essas mudanças influenciaram o comportamento das igrejas cristãs, dos teólogos, daqueles que se dedicam ao serviço da religião e dos fiéis. Além de remeter o leitor a uma reflexão sobre ecumenismo, mostra também como este movimento marcou profundamente as diversas igrejas cristãs, especialmente no que se refere às formas de cooperação entre elas e seus seguidores. Então, pode-se dizer que algo de novo estava acontecendo no ocidente. Partindo de fontes inéditas, documentos oficiais, jornais, revistas, livros e relatos de militantes e fazendo rigorosa análise dos seus conteúdos Agemir indica, neste livro, que o discurso sobre a unidade se deu a partir da construção de um projeto para o Brasil tendo como foco central a formação de uma nação mais justa e igualitária. Resgatando diversos trabalhos que discutiram essa temática, o autor explora o aspecto social do ecumenismo e acentua a importância do compromisso com os movimentos sociais. A idéia de libertação, apoiada na união dos cristãos, é apresentada como um dos caminhos para enfrentar os desafios do mundo moderno, em especial as condições de vida e a dependência econômica dos países mais pobres. Por esta razão, a criação de organismos de caráter ecumênico, embora não fosse uma tarefa fácil, constituiu-se numa experiência que se identificou com questões teóricas seculares e com problemas sociais que feriam os princípios cristãos e degradavam a vida de significativa parcela da humanidade. Por esta razão, apesar desta obra tratar do ecumenismo no Brasil, fica evidente que é impossível isolá-lo de todo o movimento internacional, principalmente da América Latina.