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INVISÍVEIS

Autor: ARTISTAS: CLÁUDIA ESPINOZA; DENILZE PAULA DA ; SILVA; FERNANDO NOLASCO; SUELI BAGLIOLI. - Apresentação: LUCIANO DOARTE CHINDA -
Páginas: 116 pgs.
Ano da Publicação: 2018
Editora: Instituto Memória
De: R$ 85,00 - por: R$ 75,00

SINOPSE

APRESENTAÇÃO/ PRESENTACIÓN

APRESENTANDO OS INVISÍVEIS

A ideia chavão de que a sociedade produz tudo que sinta necessidade para sua manutenção explica simploriamente o funcionamento social. A frase, quase um subterfúgio de tão genérica, quer nos lembrar de o homem é um ser social, então, vive em grupo e que em nosso grupo, a humanidade, temos nossa vida produzida e encerrada. Dentro das necessidades, quer construída pelo próprio homem, quer deparada face às realidades, encontramos desde a pré-história o trabalho em suas mais variadas formas. A ideia contemporânea de trabalho, com horário, salário, direitos e problemas sobre eles e a divisão sociocultural imposta sobre ele, não se encaixa, claro, aos indivíduos do Paleolítico que caçavam os leões-das-cavernas para usarem de sua carne e pele, entretanto, está aí um trabalho enquanto atividade: a dispendiosa ação de caça, preparo e outros usos do material conquistado.

Os trabalhos foram desde sempre se atualizando ao passo das sociedades em que se inserem, por isso, não podemos desconsiderar o fator sociocultural das atividades, a dimensão social que o imaginário popular faz ocupar. Por exemplo, em que medida a atividade e a figura de empregada doméstica enquanto uma mulher parte de uma camada social mais fragilizada não é ainda baseada no imaginário transformado da antiga escravizada que atendia aos seus senhores dentro da casa-grande? Deixando a reflexão sobre o trabalho e a sociedade, passemos ao que nos importa neste livro: a permanência, a ruptura ou a transformação de algumas atividades profissionais.

Durante os milênios considerados na história ocidental, quantas diferentes atividades profissionais não foram valorizadas, transformadas quando se atualizaram em suas atividades ou até mesmo entraram em desuso e se extinguiram? Aonde e como guardamos ou guardaríamos as informações a respeito dessas pessoas, muitas vezes partes de uma sociedade complexa, mas considerada sem rosto e sem espaço para ser ouvida, sendo transformada em uma só "massa popular", que executaram tarefas tão necessárias antes que hoje não mais precisamos? Ou que ainda hoje executam trabalhos essenciais no cotidiano das cidades, do meio rural, da manutenção das tradições, na fomentação da tão vangloriada tecnologia, mas que passam todos os dias como fantasmas por sobre as calçadas e só registram para si, no máximo para seus próximos, sua própria memória e existência?

Por conta da tecnologia, perdemos os músicos do cinema mudo para as trilhas sonoras incluídas no filme, o barriqueiro para as variações de potes plásticos ou metálicos feitos em larga escala, o segueiro para a indústria automotiva. A mesma tecnologia que aos poucos minou a função do jornaleiro, do telegrafista e do datilógrafo porque ela nos deu autonomia para escrever, pesquisar e ler as notícias por conta própria. Os fotógrafos de rua, em lambe-lambe ou com seus pôneis e carneiros coloridos foram trocados pelas selfies e o chapeleiro perdeu seu público.

Da mesma maneira, aos alfaiates e costureiras pouco resta além de acertarem barras de calças, bolsos descosturados e zíperes a se trocar, porque as grandes lojas e suas máquinas modernas produzem mais facilmente os cortes e linhas. As facas saem da fábrica com fio feito a laser, então o amolador não precisa mais passar nas ruas ou trabalhar em conjunto com o chaveiro. Os relógios digitais, em celulares e mostradores luminosos, não precisam mais que o relojoeiro se preocupe com engrenagens e pontualidades à mão. Até os sinos das igrejas e passagens de ônibus podem ser automatizados de forma que um despertador bata o pêndulo ou o passageiro resolva-se com a catraca. Os espaços domésticos se reduzem cada vez mais, então, mordomos e governantas não precisam mais gerenciar as moradias, porque os seus moradores em duplas ou terceiras funções, depois de chegarem do trabalho, conseguem fazer as compras, organizar as correspondências, tomar notas dos recados.

Ao mesmo tempo, por mais que existam e que toda a sociedade garganteie a importância, outros passam como que verdadeiros invisíveis aos olhos utilitários do dia-a-dia. O gari varre todos os dias a mesma calçada e poucos sabem seu nome, mas sabem quando ele não varre porque enxergam a sujeira. O garçom, chamado de todos os predicados para que atenda bem o cliente, é chamado até de amigo, mas não pelo nome, bem como seu colega cozinheiro, que ninguém vê, mas precisam dele ao sentarem-se em algum restaurante. Até o pequeno produtor de hortifrúti, tão amado pela sociedade consciente, é signatário da cooperativa que intermeia a venda e é esquecido.

Neste livro estão estética e em algum momento memorialmente registrados e registradas aqueles e aquelas que ajudaram o mundo chegar onde chegou, por mais que invisivelmente sem rosto.

 

 

Luciano Chinda Doarte

Historiador Culturalista

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PRESENTANDO LOS INVISIBLES

La  idea clave de que la sociedad produce todo que sienta necesidad para su mantenimiento explica simplemente el funcionamiento social. La frase, casi un subterfugio de tan genérica, quiere recordarnos de que el  hombre es un ser social, entonces, vive en grupo y que en nuestro grupo, la humanidad, tenemos nuestra vida producida y encerrada. Dentro de las necesidades, un poco construida por el propio hombre, un poco deparada en virtud de las realidades, encontramos desde la pre-historia el trabajo en sus más variadas formas. La idea contemporánea de trabajo, con horario, sueldo, derechos y problemas sobre ellos y la división sociocultural impuesta sobre él, no se encaja, seguramente, a los individuos del Paleolítico que cazaban los leones-de las-cavernas para usar su carne y piel, entretanto, está ahí un trabajo mientras actividad: la dispendiosa acción de caza, preparo y otros usos del material conquistado.

Los trabajos han estado desde siempre actualizándose al paso de las sociedades en que se insieren, por eso, no podemos desconsiderar el factor sociocultural de las actividades, la dimensión social que el imaginario popular hace ocupar. Por ejemplo, en qué medida la actividad y la figura de empleada doméstica cuando una mujer parte de una camada social más fragilizada no es aún basada en el imaginario transformado de la antigua esclavizada que atendía a sus señores dentro de la casa-grande. Dejando la reflexión sobre el trabajo y la sociedad, pasemos a lo que nos importa en este libro: la permanencia, la ruptura o la transformación de algunas actividades profesionales.

Durante los milenios considerados en la historia occidental, ¿cuántas diferentes actividades profesionales no han sido valoradas, transformadas cuando se actualizaron en sus actividades o aun así entraron en desuso y se extinguieron? ¿Adónde y cómo guardamos o guardaríamos las informaciones a respecto de esas personas, muchas veces partes de una sociedad compleja, mas considerada sin rostro y sin espacio para ser oída, siendo transformada  en  una sola "masada  popular", que ejecutaron tareas tan necesarias antes que hoy no necesitamos más? ¿O qué aún hoy ejecutan trabajos esenciales en el cotidiano de las ciudades, del medio rural, del mantenimiento de las tradiciones, en la fomentación de la tan enaltecida tecnología, pero que pasan todos los días como fantasmas por sobre las veredas y solo registran para sí, al máximo para sus próximos, su propia memoria y existencia?

Por cuenta de la tecnología, perdimos los músicos del cine mudo para las bandas sonoras incluidas en la película, el herrero para las variaciones de potes plásticos o metálicos fabricados en larga escala, el carretero para la industria automovilística. La misma tecnología que poco a poco dio cabo a la función de canillita, de telegrafista y de dactilógrafo porque ella nos ha dado autonomía para escribir, investigar y leer las noticias por cuenta propia. Los fotógrafos callejeros, con cámara antigua o con sus ponis y ovejas coloridas han sido cambiados por las “selfies” y el sombrerero perdió su público.

De esta misma manera, a los sastres y modistas poco les resta que  arreglar dobladillos de pantalones, bolsillos descosidos y cierres para cambiar, porque las grandes tiendas y sus máquinas modernas producen con más facilidad los cortes  e hilos. Los cuchillos salen de la fábrica con hilo fabricado a laser, entonces el afilador no necesita pasar más en las calles o trabajar en conjunto con el cerrajero. Los relojes digitales, en celulares y mostradores luminosos, no necesitan más que el relojero se preocupe con engranajes y puntualidades a mano. Hasta las campanas de las iglesias y boletos de autobuses pueden ser automatizados de forma que un despertador toque el péndulo o el pasajero se  resuelva con la ruleta. Los espacios domésticos se reducen cada vez más, entonces, mayordomos y gobernantas no necesitan más administrar las viviendas, porque sus habitantes en parejas o terceras funciones, tras  llegar del trabajo, logran hacer las compras, organizar las correspondencias, tomar notas de los mensajes.

Al mismo tiempo, por más que existan y que toda la sociedad fanfarronee la importancia, otros pasan como que verdaderos invisibles a los ojos utilitarios del día-a-día. El barrendero barre todos los días la misma vereda y pocos saben su nombre, pero saben cuando él no barre porque ven la suciedad. El camarero, llamado de todos los predicados para que atienda bien al cliente, es llamado hasta de amigo, pero no por el nombre, bien como su colega cocinero, que nadie ve, pero necesitan de él cuando se sienten en algún restaurante. Hasta el pequeño productor de frutihortícolas, tan amado por la sociedad consciente, es signatario de la cooperativa que intermedia la venta y es olvidado.

En este libro están estética y en algún momento memorialmente registrados y registradas aquellos y aquellas que  han ayudado que el mundo llegara adonde llegó, por más que invisiblemente sin rostro.

Luciano Chinda Doarte

Historiador Culturalista