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POPULISMO & CORRUPÇÃO: O QUE ESPERAR DO BRASIL A PARTIR DE 2017?

Autor: Pedro Ricardo Dória
Páginas: 196 pgs.
Ano da Publicação: 2016
Editora: Instituto Memória
Preço: R$ 70,00

SINOPSE

Convido o leitor para refletir sobre o Brasil inserido no mundo, mas atentando para os anos mais recentes, quando o nosso país caminhou para dolorosos desastres. Essa minha proposta parece contrastar com o meu livro anterior, pois nele tratei da probabilidade (e da aspiração) de o Brasil ascender a grande potência. O biênioano de 2014-2015 foi marcado, no Brasil, pela mais grave crise da história, envolvendo fantásticos escândalos de corrupção, fortíssimas diminuições do PIB (impressionantes recessões) e volta alarmante da inflação, o pior de todos os impostos, porque pesa mais sobre as famílias mais pobres. econômica

Além de tudo isso, a inflação foi causada por descontroles das contas do governo da presidente Dilma – ela e seus auxiliares e assessores esqueceram a sabedoria das donas de casa, que aplicam a aritmética, evitando rombos, ou gastos além das receitas o eleva a conta dos juros, tornando tornado problema mais, ou até insolúvel. A crise causada pelo governo atinge toda a economia, novamente afetando as pessoas mais carentes, as que mais sofrem com o aumento incessante do desemprego, acentuado nas indústrias e no comércio, mas dia-a-dia se alastrando por todos os demais setores.

O foco das investigações e dos procedimentos judiciais relativos à corrupção alcançou também o setor privado, com destaque para altos dirigentes de empreiteiras contratadas pelo governo ou suas empresas. Nos escândalos que em 1992 afastaram o presidente Fernando Collor de Mello (PRN), assinalei que era lamentável não tratar dos malfeitos dos empresários.

Foi aceito o pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT), pelo presidente da Câmara dos Deputado. Se o plenário dapresidente da casa o aprovar,, caberá ao Senado apreciá-lo. O julgamento será presidido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal de pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT). O pedido foi, subscrito por três juristas, destacando-se . Um deles, Hélio Bicudo, foi fundador do PT (foi candidato pelo PT a vice-governador de São Paulo, na chapa do ex-presidente Lula da Silva). Diante da grave crise, o senador Paulo Paim, também do PT (RS), anunciou sua decisão de deixar o partido.

Em entrevista à revista Veja o senador gaúcho comentou sua anunciada decisão de desligar-se do PT. Seu partido fora concebido como instituição modelar, mas tem sido alvo de graves suspeitas e até mesmo membros destacados do partido têm sido investigados, presos e judicialmente condenados. Na mencionada entrevista, o senador Paim justificou sua decisão de deixar o PT nos seguintes termos::

É triste ver que o sonho acabou. Ver onde chegamos. O PT hoje é um partido como todos os outros, que sempre criticamos. (BONIN, 2015.)

NO MEU CITADO LIVRO (começo de 2012), parti não só das esperanças brasileiras como também de expectativas formuladas no exterior. Coloquei o possível avanço do Brasil no horizonte do século XXI e externei advertências O processo histórico pusera a nu tamanhas debilidades, mormente nos aspectos político-institucional e do desenvolvimento macroeconômico. Nessa linha, salientei:

Nos dias atuais, a questão consiste (...) no imperativo da convergência de esforços para ampliar as chances de que o Brasil, ao longo do século XXI – sem reincidir em retardamentos – venha a alcançar a posição de grande potência e avançar em consonância com a modernidade. Este aspecto inclui, com realce, a elevação da renda por habitante, a nível que a situe no estágio de economia desenvolvida, e a definitiva consolidação da democracia ((DÓRIA, 2012, p. 280).

Em uma das duas notas prévias do mesmo livro, fiz uma referência à possibilidade da liderança política mudar a cultura de um país, reduzindo a incidência da corrupção. A outra nota focalizou o complexo de vira-las do povo brasileiro: seu sentimento de inferioridade diante do mundo. Neste caso, citei expressão de Nelson Rodrigues referida por Tostão (colunista, médico e ex-integrante da seleção brasileira de futebol). A primeira referência fui buscar em prefácio de Samuel Huntington, cientista político (há pouco tempo falecido), de obra que reuniu várias contribuições a respeito do papel da cultura (HUNTINGTON & HARRISON, 2002).

Huntington frisou que a liderança política pode, em determinadas circunstâncias, estimular mudanças culturais, tal como ocorreu em Cingapura, uma sociedade confuciana, que chegou a alcançar o nível dos países menos corruptos do mundo: Dinamarca, Suécia, Finlândia e Nova Zelândia. Lee Kwan Yew resolveu fazer de Cingapura o país menos corrupto possível e foi bem sucedido. O livro em causa se dispôs investigar de que modo a ação política e social pode tornar as culturas mais favoráveis ao progresso.

Com respeito a esteo livro que o leitor tem em sujas mãos, afigura-se indispensável assinalar que seu objeto é bem mais abrangente, porquanto ele trata dos atrasos do Brasil e de sua inserção na ordem mundial que está começando a ser construída no presente início da Era Pós Moderna, tendo como referências os relevantes eventos políticos e macroeconômicos brasileiros que foram agravados em 2015-2016. Impõe-se bem frisar que a humanidade está adentrando na Era Pós Moderna, mas o Brasil não se inclui entre os países desenvolvidos do planeta. Este fato robustece as razões pelas quais aqui insisto em propor aos leitores reflexões sobre o nosso país e também sobre os aspectos mais significativos e pertinentes do contexto planetário.

Com respeito ao BrasilBrasil, meu intento não é pautar pelo pessimismo nem pelo otimismo. Quanto mais avançar no exame deste livro, o leitor perceberá que me empenho no exercício de um bem dosado realismo, que se assenta, em especial, sobre uma realidade: o Brasil continua a ser um país ainda em desenvolvimento, em seus aspectos múltiplos e complementares.

O futuro jamais está predeterminado para as sociedades dos seres humanos. Assim sendo, temos de encarar com desassombro os atrasos do Brasil. É fato queNosso país desfrutamos de especiais condições para alcançar, no século XXI, o patamar das maiores potências. É claro que nada é fácil e esse exige aplicações - de modo construtivo – de boas doses de esforços intensos, incessantes e racionalmente conduzidos.

Minha esperança consiste em que esta brevíssima apresentação encoraje o leitor a empreender uma leitura crítica do que se segue.

O presenteO livro aqui apresentado comporta o texto principal e trêdois anexos. O texto comporta quatro partes, antecedidas pela Introdução. Os enunciados relativos a cada uma das quatro partes fornecem uma primeira ampla ideia do conjunto das discussões deste trabalho, a saber: I. Política no Brasil e a Era Pós Moderna; II. 30 anos da Nova República e a crise do petismo em 2015; III. Mundo: maior acontecimento da história (China) e segundo passo da erradicação da pobreza; IV. Brasil: imperativos da racionalidade econômica e da imitação da China. Segue-se uma alentada parte final, intitulada Epílogo: no Brasil, quase tragédia e o mundo avançando na Pós Modernidade.

Os três anexos complementam temas relevantes do livro. Neles o leitor tem à sua disposição breves extratos de obras de importantes autores, como segue: I. Political order and political decay: from the industrial revolution to the globalization of democracy (Francis Fukuyama);           II.  The great escape: health, wealth, and the origins of inequality (Angus Deaton); III. The road to global prosperity (Micahel Mandelbaum).

Cada livro, ainda que indiretamente, tem algo a ver com a trajetória de vida do seu autor, principalmente aqueles – como esta obra – que tratam de política e de política internacional. Meu primeiro livro esteve vinculado à minha atuação como professor de Economia (1974-1974) e no jornalismo de assuntos econômicos e financeiros. Os três livros seguintes trataram de política, área da Sociologia na qual realizei meu Mestrado. Minha atuação política ficou restrita ao ambiente universitário (primeiro curso), mas desde então reforcei minha opção pela democracia. Meu curso na Escola Superior de Guerra (Rio de Janeiro), em 1976, reunia como estagiários oficiais superiores e profissionais civis, entre os quais pessoas indicadas pelos governos estaduais (meu caso). No ano do término da segunda ditadura de Getúlio Vargas (1945), nasceu meu apego crescente aos ideais de uma sociedade de cidadãos livres e politicamente participativos e responsáveis. O Brasil somente começou sua primeira experiência de democracia em 1945, interrompida pela força do golpe militar de 1964, conforme menciono no presente trabalho, que também tem como antecedentes minhas colaborações em revistas do Paraná e do Rio de Janeiro, onde colaborei com a revista Vozes, de Petrópolis (publicada pela tradicional editora que publicou meu livro de 1976).

- Anexo I Brasil na República: avanços e retrocessos (1889-1985);

- Anexo II – Grandes etapas da mudança histórica.

As quatro partes do texto principal são antecedidas pela Introdução e complementadas pelas Conclusões. Já as considerações conclusivas acentuam as contradições do PT e as carências da cultura política, aumentadas na Pós Modernidade.

Meu grande prêmio, enquanto autor, consistirá na aceitação, por parteatenção  dos leitores, do meu convite para empreendermos reflexões compartilhadas a este livro, que está longe de almejar amenidades. Este livro pretende serrepresenta um convite a reflexões, justamente o oposto de qualquer sorte de dogmatismo intelectual ou doutrinário-ideológico.

O AUTOR

Pedro Ricardo Dória é Mestre em Sociologia (UFPR); trabalhou – durante mais de 25 anos – junto à presidência da empresa de eletricidade do Governo do Paraná – COPEL, atuou como jornalista de assuntos econômico-financeiros e lecionou em Economia, na Faculdade Católica de Administração e Economia. Além de haver realizado os cursos de graduação em Filosofia e em Direito, participou de seminários no exterior (1971 e 1974) e dos seguintes outros cursos: da Comissão Econômica para a América Latina – Cepal/ONU (Curitiba), da Escola Superior de Guerra (Rio de Janeiro) e da Universidade de São Paulo – USP (Faculdade de Administração e Economia/Administração para Executivos).