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INCLUSÃO DE ALUNOS COM DEFICIÊNCIA NA EDUCAÇÃO SUPERIOR - UFMA

Autor: Thelma Chahini
Páginas: 174 pgs.
Ano da Publicação: 2014
Editora: Centro de Estudos da Contemporaneidade
Preço: R$ 50,00

SINOPSE

APRESENTAÇÃO:

É com grande satisfação que faço a apresentação deste livro. Particularmente estamos presenciando uma grande transformação na modalidade de ensino da Educação Especial: a inclusão. É praticamente uma espécie de ‘revolução’ que traz no seu ápice o aluno como centro da educação. Temos como marco muito importante sobre a inclusão a nossa carta magna: a educação é um direito de todos. Este marco tem procurado aprofundar cada vez mais com aportes legais para a garantia da educação para todos.

Ultimamente na prática destas transformações surgiram ‘pleonasmos’ como ‘educação inclusiva’, ‘escola inclusiva’, entre outros. Estes nem deveriam existir porque toda ‘educação é para todos’, portanto inclusiva e toda ‘escola é para todos’, portanto também inclusiva.

Outro aspecto muito evidenciado na chamada ‘escola inclusiva’ ou na ‘educação inclusiva’ é ‘apropriação’ do termo ‘inclusão’ pela Educação Especial. Quando não deveria ser: a escola é para todos (magros, gordos, altos, baixos, diferentes etnias entre outras variáveis)

O presente livro trata da inclusão do aluno com deficiência na educação superior. O tema abordado é de grande relevância para a pessoa com deficiência. Thelma mostra com clareza a evolução histórica da construção social da deficiência. Também aponta a busca cada vez mais avançada para o exercício dos direitos da pessoa com deficiência e como consequência o acesso a todos os estratos: família, escola e sociedade com a plenitude da realização pessoal.

Evidencia particularmente a inclusão da pessoa com deficiência na educação superior. Mostra os obstáculos e avanços ocorridos nas últimas décadas principalmente no âmbito da escola. Descreve a pesquisa que realizou no Maranhão (mas que poderia ser realizada em qualquer parte do Brasil) mais precisamente na Universidade Federal do Maranhão, com 357 participantes. Distribuídos em cinco grupos: G1 15 alunos com deficiência (nove com acesso pelas cotas e seis com acesso anterior às cotas); G2 100 alunos que não tinham colegas com deficiência; G3 100 alunos que tinham colegas com deficiência; G4 42 professores que tinham alunos com deficiência; e G5 100 professores que não tinham alunos com deficiência. Após a análise dos dados coletados com a aplicação dos instrumentos, os resultados apontam a importância da oferta de possibilidades para o acesso do aluno com deficiência no ensino superior. Evidencia a importância das cotas, conscientização e mudanças de atitudes em benefício do acesso ao conhecimento acadêmico dos alunos com características de aprendizagem diferenciada.

Parabéns para o aluno com deficiência que atualmente tem seu acesso ao ensino superior garantido favorecendo o enriquecimento no convívio universitário.

 

São Carlos, 12 de outubro de 2013.

 

Profa. Dra. Maria da Piedade Resende da Costa

Professora pesquisadora da UFSCar.

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PREFÁCIO:

Incluir educacionalmente alunos com necessidades educacionais especiais, mais que atender às legislações vigentes, tornou-se um imperativo social e moral a todas as instituições de ensino, em grande parte do planeta. É ao mesmo tempo fruto de um processo de conquistas e concessões. Aquelas, decorrentes de muitas lutas sociais contra a discriminação, travadas pelas minorias estigmatizadas e que durante décadas viveram e ainda vivem à margem, ancorados na crença de que possuem atributos diferenciais não correspondentes ao ideário que cada cultura estabelece como norma. Como afirma a autora, trata-se de uma trajetória “marcada por preconceitos, desinformação, mitos, segregação e exclusão”. Estas decorrentes do que Mendes (2010) atribui a um percurso árduo e permanente de questionamentos e reflexões que culminou no amadurecimento e mobilização social acerca dos direitos de todos.

Corroborando algumas questões discutidas pelos profissionais da área da Educação Especial são levantadas as inquietações que levaram a autora a desenvolver esta pesquisa dentre as quais a necessária formação do professor e suas atitudes sociais diante do aluno que necessita de educação especializada, e ações afirmativas por parte dos professores e da universidade, no tocante ao acesso e atenção educacional especializada também neste nível de ensino. Relembrando Aristóteles a autora reafirma a necessidade de “tratar desigualmente os desiguais”, de maneira que a discriminação positiva é que fornece a medida da diferença no tratamento da desigualdade, promovendo-se assim a equidade de oportunidades e a garantia à igualdade de acesso aos bens e serviços.

Ao trabalhar a historicidade da Educação Especial e o paradigma da Educação Inclusiva a autora dialoga com diferentes autores da área, expondo e contrapondo ideias e reflexões sobre o paradigma da inclusão, chama a atenção para os avanços, advertências e entraves a serem superados. Discuti baseada em dados de pesquisas, ações afirmativas nas universidades, responsáveis pelo acesso de alunos com necessidades educacionais especiais ao conhecimento e ao espaço acadêmico, de maneira a se tornarem profissionais competitivos no mercado de trabalho.

Sobre a polêmica discussão a respeito das cotas no ensino superior, a autora trás visões prós e contras de diferentes autores e desmistifica a crença de que há diferenças entre os alunos cotistas e não cotistas. Evidencia a favorabilidade dos participantes em relação à inclusão do aluno com necessidades educacionais especiais no ensino superior, e evidencia a importância de a universidade criar condições favoráveis ao acesso desses alunos aos cursos de graduação, adicionalmente trabalhar no sentido da necessidade de se eliminar barreiras atitudinais. Em contrapartida, aponta opiniões mais desfavoráveis quanto à natureza operacional da inclusão, fato este que deve merecer a atenção política dos nossos governantes.

Valendo-se de todos os cuidados éticos exigidos de uma pesquisa científica e dos objetivos claramente norteadores, um dos méritos desta pesquisa está no seu delineamento metodológico. O mesmo apresenta um universo de participante bastante representativo e criteriosamente selecionado. Adiciona-se como cuidado metodológico as diferentes versões de questionários empregadas para cada grupo de participante e a utilização da Escala Likert de Atitudes Sociais em relação à Inclusão, desenvolvida e validada pelo Grupo de Pesquisa “Diferença, Desvio e Estigma”, sob a coordenação do Dr. Sadao Omote, grupo este que a autora participou no período em que desenvolveu a pesquisa. Vale ressaltar que no universo de trabalhos científicos desenvolvidos nos últimos anos, poucos utilizam escala likert como recurso instrumental, pela natureza do conhecimento que se exige nos momentos de aplicação e análise quantitativa dos dados, sendo que a autora faz também a análise qualitativa dos mesmos. Na análise das atitudes sociais e das opiniões de professores da Universidade Federal do Maranhão, Thelma Helena Costa Chahini dialoga com a literatura existente sobre o assunto e chega a resultados surpreendentes que podem servir de norte para outras pesquisas ou mesmo para subsidiar futuras políticas educacionais de inclusão do aluno com deficiência nas universidades brasileiras.

Além de uma leitura agradável, enquanto reflexão acerca da acessibilidade do aluno com necessidades educacionais especiais no ensino superior, da garantia de seus direitos a uma formação de qualidade e competitiva para o mercado de trabalho, além das importantes questões relacionadas às atitudes sociais de professores e alunos em relação àqueles cujos atributos diferenciais exigem atenção especializada, somado ao sofisticado delineamento metodológico, trata-se de uma obra que instrui, modifica atitudes e deve ser lida por todos.

Primavera de 2013

 

Prof. Dr. Miguel Claudio Moriel Chacon

Pesquisador na área de Educação Especial e de Atitudes Sociais da UNESP de Marília.