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ESGOTADO - Os Corvos de Van Gogh

Autor: Isabel Furini
Páginas: 80 pgs.
Ano da Publicação: 2013
Editora: Instituto Memória
Preço: R$ 20,00

SINOPSE

Sabemos que a Arte só cumpre seu papel no exato momento em que –para usar um verbo muito em voga, hoje em dia- interage com o homem. Mais do que isso: a obra de arte só se completa, só atinge plenamente sua função, a partir do momento em que passa a fazer parte do homem, e vice-versa.

Entre poetas, dá-se que a Poesia pode surgir, também, da contemplação, e de todas as consequências estéticas e sentimentais que esta suscita. O resultado disto pode ser considerado quase um milagre: uma obra de arte a gerar outra, expressa de uma forma diferente da que a gerou, porque acomodada numa outra linguagem, mas destinada ao mesmo fim, que é o de levantar-se contra o conformismo e à indiferença sobre a condição humana.  

É o que acontece com este livro.

A autora se lança a, através da observação e do encantamento que dela pode ser gerado, obter o que para muitos é impossível: fazer parte da obra. Foge do lugar-comum e deixa de recorrer exclusivamente à imagem dos girassóis (“ardentes”, como já disse o mestre Manoel de Barros) para fixar seu olhar de artista em algo que, para outros que não possuem a capacidade de alteridade que aos escritores é comum, perceber  o espírito do pintor presente também nas negras figuras aladas (e sem citar Allan Poe!) sobrevoando os campos de trigo, em meio ao mesmo negror que já se insinua no azul do céu, como anunciadores do que vai na alma do artista, seja ela munida de pincel, seja de papel.

Mais do que manter aceso o diálogo entre literatura (no caso, a Poesia) e a pintura, que vem desde Horácio (para quem “Poesia é como pintura; uma te cativa mais, se te deténs mais perto; outra, se te pões longe; esta prefere a penumbra; aquela quererá ser contemplada em plena luz, porque não teme o olhar penetrante do crítico; essa agradou uma vez; essa outra, dez vezes repetida, agradará sempre”), a proposta da autora é a de trazer a público o que para ela –e para sua arte- pode representar a obra de um pintor completo, angustiado, enigmático, a quem foi dado chegar aos limites da razão, da loucura e do afeto (a ver sua relação com Theo, seu irmão), e cujo episódio da orelha decepada até hoje suscita discussões apaixonadas e dotadas das mais absurdas versões e motivos.

Para Isabel Furini, entretanto, o que importa é a Poesia, que pode ser obtida da contemplação, como disse no início, da vida, do mundo, do homem, das cores e da inquietação que a Arte provoca. Mesmo que se trate de um bando de corvos sobrevoando um campo de trigo.  

Este é um livro para se amar -também- com os olhos.

Benilson Toniolo é poeta, escritor e Secretário Municipal de Cultura de Campos do Jordão, SP.